sexta-feira, 10 de março de 2017

Licitação do BRT que ligará Lapa ao Iguatemi sai na terça (14)

09/03/2017  -  Correio

Primeira etapa vai custar R$ 408 mi e ficará pronta dentro de 2 anos

Hilza Cordeiro e Carol Aquino (redacao@correio24horas.com.br)

O prefeito ACM Neto anunciou nesta quinta-feira (9) que o edital de licitação da primeira etapa do BRT (Bus Rapid Transit) será publicado na próxima terça-feira (14). O anúncio foi feito em coletiva de imprensa com a presença do ministro das Cidades, Bruno Araújo, que veio à capital baiana para visitar as obras de mobilidade da cidade. De acordo com o prefeito, a licitação deve durar em torno de três a quatro meses, mas pode levar mais tempo, caso haja pedidos de recurso. A expectativa é de que, após licitada, a obra de R$ 408 milhões seja concluída em dois anos e quatro meses.

O projeto deste primeiro trecho possui 2,9 km, que compreende a área da Avenida ACM entre o Parque da Cidade, no Itaigara, e o Iguatemi, em frente à rodoviária. Neste percurso serão construídos cinco viadutos. “Em paralelo, já esse ano vamos licitar o projeto complementar da segunda etapa para que não só a obra possa começar nos próximos meses, mas para que a segunda também já seja adiantada”, garantiu Neto. 


Prefeito anunciou novidade ao lado do ministro das Cidades, Bruno Araújo
(Foto: Valter Pontes/Divulgação Secom Salvador)

De acordo com o prefeito, o consórcio vencedor desta primeira licitação fica responsável ainda por fazer o projeto complementar, pensando o terreno para a próxima obra. O trecho 2 ligará a Estação da Lapa ao Parque da Cidade, com uma extensão de 5,5 km e investimento de R$ 412 milhões. Serão seis estações, um viaduto na Av. Garibaldi e dois viadutos elevados. O terceiro trecho, que vai do Parque da Cidade até a Pituba, no Posto dos Namorados, é uma expansão de 1,8 km e contará com duas estações e um terminal.

Segundo a prefeitura, após conclusão das três etapas previstas, 31 mil pessoas serão beneficiadas por hora, em momentos de pico, pelo BRT. Concluídas as obras, o trecho entre a Lapa e o Iguatemi, de 8,7 km, será feito em 16 minutos –  atualmente, gasta-se cerca de uma hora. Além disso, também já está em discussão a integração entre o BRT e o metrô.

“Vim à Bahia para ratificar o nosso compromisso com o estado, a prefeitura e a sociedade. Muitas capitais levaram anos para ter esses equipamentos e agora eles vão atender todos os baianos”, disse o ministro. Na oportunidade, o prefeito também colocou em pauta com o ministro a urbanização do Canal Paraguari, no Subúrbio, que tem estimativa de investimento de R$ 40 milhões. De acordo com o ministro, o governador Rui Costa tinha um compromisso no interior do estado e não pode comparecer para acompanhar a visita.

Desenvolvimento econômico

E não para por aí. Neste mês de aniversário de Salvador, os soteropolitanos vão ganhar um programa de desenvolvimento econômico da capital. O presente é mais que bem-vindo. Em época de crise, milhares de pessoas estão em busca de uma oportunidade de trabalho. A taxa de desemprego total da Região Metropolitana de Salvador é de 25,1%, segundo dados da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI).

Ainda em fase de desenvolvimento, o programa a ser lançado é voltado para a atração de empresas com alto potencial de geração de renda e empregos. Estes empreendimentos receberão do poder municipal incentivos fiscais e subsídios como cessão de áreas para se instalar por aqui e estimular a economia na capital. Segundo o secretário municipal de Desenvolvimento e Urbanismo (Sedur), Guilherme Bellintani, não existe preferência por tipo de atividade da empresa. O que está sendo levado em conta é a capacidade de geração de renda e empregos para os soteropolitanos.

“É uma expectativa aberta para que Salvador consiga ter um novo ciclo de alavancagem econômica”, argumenta Bellintani. De acordo com o secretário, ainda não é possível estimar quantos empregos serão gerados, já que os pactos com as empresas ainda estão em andamento. Por enquanto, os locais estudados e priorizados para instalação destes negócios são a Península de Itapagipe e uma parte do Subúrbio Ferroviário.

O operador de empilhadeira Ruan Dias, morador da Ribeira, está desempregado há dois anos e quatro meses e já havia descartado encontrar um emprego perto de casa. Ele afirma que a maioria das vagas a que se candidata ficam no Comércio, na Paralela, ou no Iguatemi e adjacências.

“Eu acho que seria uma boa trabalhar aqui na Península, porque a gente tem que cumprir horário no trabalho. Um funcionário morando perto da empresa é melhor por causa da questão de atrasos”, comentou Ruan. Ele também considera positiva o estímulo a novos negócios, principalmente por causa da dificuldade que ele tem para achar um emprego na sua área de formação. “Para você atuar na área a empresa exige experiência. Aí, para quem não tem, como eu, a situação fica pior.”

O secretário explica que cada empresa deve se alocar onde for mais adequado ao seu modelo de negócio. “O varejo, por exemplo, vai para onde tem demanda de compra, como é o caso de supermercados. Já as pequenas indústrias podem seguir uma indicação nossa de onde devem ficar”, esclarece. Os locais exatos não foram divulgados para evitar especulação imobiliária e econômica no entorno.

O que é possível adiantar é que entre as empresas que procuraram a prefeitura duas são do setor de varejo, uma de hotelaria internacional com desejo de se instalar na orla e as outras são empresas do ramo de construção civil, call center e negócios digitais. Conforme Bellintani, os subsídios e incentivos fiscais não devem ser oferecidos por mais de cinco anos – tempo esperado para que a empresa seja implantada e consiga se estabelecer no mercado. 

Sem burocracia

Junto com este programa de desenvolvimento também será lançado ainda o Simplifica, um pacote de medidas antiburocracia para facilitar a abertura de novas empresas na cidade. A prefeitura, também através da Sedur, pretende melhorar esse processo com a redução do tempo para quem quer abrir um negócio. Também de acordo com Bellintani, o projeto Simplifica pretende implantar tecnologias e criar um canal específico para atendimento pela internet. “A configuração atual das secretarias é feita para um tipo de cidadão/empresa atrasado. É muito físico, que transita entre órgãos. O que a gente quer é reduzir o tempo e deslocamento, fazendo o máximo possível através da internet”, conta.

O secretário esclarece que algumas normas relativas à abertura de empresas são de 20 a 30 anos atrás e precisarão ser alteradas para essa nova configuração do processo via internet. Por causa disso, uma parte do projeto ainda terá de passar pela Câmara de Vereadores para análise e modificação das leis. De acordo com dados da Junta Comercial da Bahia, a abertura de empresas caiu muito nos últimos anos. Em 2015 e 2016, foram abertos, respectivamente, 26.583 e 24.946, número mais baixo desde 2007. Em 2013, 31.029 empresas foram abertas.

Mais obras

E a festa não para por aí. No final do mês a prefeitura também anuncia projetos que vão de desde infraestrutura a desenvolvimento social, urbano, cultural e econômico. Serão feitas quatro obras de contenção de encostas em locais como Arraial do Retiro, Barro Branco e outros; entrega de dois mil títulos de posse de terra; inauguração de quinze praças; construção do Centro Integrado de Esportes em Itapuã, além de entrega de mais de 20 quadras e campinhos; inauguração de unidades de saúde, duas escolas e uma creche; criação de parcerias público privadas (PPPs) para 600 vagas subterrâneas de estacionamento no Centro Histórico/Comércio e construção de mais cemitérios, além de abertura de sete editais na área cultura

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