terça-feira, 10 de maio de 2016

Corredores BRT de Porto Alegre se distanciam da proposta original

10/05/2016  - Zero Hora - RS

Em 11 de março de 2013, ZH destacava, em sua versão online: "Corredores BRT irão transformar o trânsito de Porto Alegre". Cinco anos após o anúncio do sistema de trânsito rápido para o transporte público, a previsão se concretizou – mas não da maneira que se esperava. As obras do BRT (transporte rápido de ônibus), todas ainda inconclusas, apesar de terem sido prometidas para a Copa do Mundo de 2014, realmente mudaram o trânsito da Capital. Para pior.

No estado atual, os trabalhos complicam o trânsito, deixam corredores em obras vazios, obrigando os ônibus a disputar espaço com outros veículos, e dificultam a vida dos passageiros, que já se acostumaram com a lentidão e os constantes desvios de rota.

A expectativa para este ano – o terceiro de obras tão somente de pavimentação do BRT – era de que, finalmente, o asfalto fosse substituído pelo concreto em todos os corredores a serem cruzados pelo sistema, garantindo maior durabilidade para a pista e evitando a trepidação dos veículos. Mas nem isso agora está garantido: com a dificuldade financeira enfrentada pela construtora Brasília Guaíba, o corredor da Avenida João Pessoa precisará passar por nova licitação. O edital deve ser publicado apenas no próximo semestre.

Nos demais corredores, os ônibus poderão voltar a circular ainda neste semestre, mas nenhum ainda está adequado à nova proposta. Por enquanto, nada de embarque rápido, ultrapassagem, veículos maiores, bilhetagem eletrônica, informatização de horários: o início da "operação BRT" em Porto Alegre será apenas em corredores com novo piso.

– Esta primeira fase é a mais traumática. Houve uma série de imprevistos que impediram que o cronograma fosse seguido. Mas o benefício vem a longo prazo, quando as obras forem finalizadas – afirma o secretário municipal de Gestão, Urbano Schmitt.

O problema é que o conceito de Bus Rapid Transit inclui muito mais do que corredores de concreto. Estão previstas ainda melhor infraestrutura e sistemas inteligentes (bilhetagem eletrônica, monitoramento de veículos, controle e informação ao usuário). Mas, por enquanto, sequer a primeira fase da etapa inicial está pronta.

A Secretaria de Gestão, responsável pelas obras da Copa, prefere agora nem estimar quando todo o sistema estará funcionando. Seguiram-se anos sem que o sistema, alardeado como a solução para a confusão no transporte público, conseguisse passar o primeiro sinal verde.

Somada aos atrasos, essa implementação adaptada acaba minando a confiança de estudiosos do assunto e da população em geral na eficácia do sistema em Porto Alegre – a que o especialista em transportes João Fortini Albano, pelas peculiaridades do caso gaúcho, dá o apelido de "BRTchê".

– Estamos retrocedendo em relação àquilo que é o BRT. Não estamos usando veículos maiores, permitindo ultrapassagens, nada do que o modelo clássico prevê. Não é só corredor, isso nós já tínhamos. Parece que Porto Alegre poderia atingir um nível 2, mas prefere para sempre ficar no 1 – pondera o professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Revisão prevê menos "sofisticação"

Terminadas as obras de pavimentação, os próximos passos incluem a instalação de novas paradas de ônibus, a criação de terminais integrados e a adaptação do sistema viário para que as linhas de ônibus atuais passem a alimentar o sistema BRT, que deverá assumir boa parte das viagens na Capital. A bilhetagem eletrônica, com o objetivo de diminuir o tempo que leva cada embarque e desembarque, também está prevista.

Cada passo, porém, depende de novas licitações, e ninguém se arrisca a prever quando o sistema completo deve ser entregue à população. Ainda assim, nem tudo será entregue nos mesmos padrões que se previa. Consideradas "sofisticadas" pelo prefeito José Fortunati, as estações fechadas, repletas de tecnologia e com venda interna de passagens vão ficando de lado após constantes revisões feitas pela Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC).

– O conceito geral permanece, mas estamos propondo alterações na arquitetura que são mais racionais. É como construir uma casa: você pode usar materiais caros, e gastar muito com isso, ou usar alternativas mais baratas para que a funcionalidade permaneça, mas saia mais em conta – afirma o engenheiro da EPTC e coordenador do projeto, Luís Cláudio Ribeiro.

Também os terminais com grandes espaços abertos para a circulação de pessoas e veículos vão perdendo apoio em troca de estruturas mais simples, bastante semelhantes aos terminais atuais – mudanças que, garante a EPTC, são mais racionais em relação ao orçamento disponível e ao uso do dinheiro público.

BRT AVENIDA JOÃO PESSOA
• Extensão: 3,2km
• Total investido: R$ 2,5 milhões
• Início: setembro de 2012
• Passageiros: capacidade de 120 mil usuários/dia em cada sentido
• Estações: 5
• Situação: 60% da pavimentação concluída

BRT AVENIDA PROTÁSIO ALVES
• Extensão: 7km
• Total investido: R$ 18 milhões
• Passageiros: capacidade de 109 mil usuários/dia em cada sentido
• Estações: 14
• Situação: 100% da pavimentação concluída

BRT AVENIDA BENTO GONÇALVES
• Extensão: 6,8km
• Total investido: R$ 13 milhões
• Início: março de 2012
• Passageiros: capacidade de 114 mil usuários/dia em cada sentido
• Estações: 14
• Situação: 99,5% da pavimentação concluída

terça-feira, 3 de maio de 2016

São José dos Campos publica edital para implantação do BRT



03/05/2016 08:47 - Rádio Piratininga

A Prefeitura de São José dos Campos publicou nesse sábado (30) o edital para escolha da empresa que vai realizar as obras de implantação do Mobi, sistema de transporte público de massa com o uso de BRT (sigla em inglês para Bus Rapid Transit).

Catorze empresas e consórcios foram qualificados e estão aptos a disputar o lote 1, que contempla a construção de quatro corredores, totalizando 25,3 quilômetros de extensão, terminais de embarque e desembarque, além de um Centro de Controle Operacional (CCO).

As empresas e consórcios habilitados têm até o dia 2 de junho para apresentar as propostas financeiras. O valor teto do edital é de R$ 319.442.133,11. O pacote de obras desta fase prevê a implantação dos seguintes trechos: Corredor Estrada Velha /Bacabal, Corredor Andrômeda, Corredor Interligação Centro-Sul e Corredor Centro I.

O lote 1 também abrange a construção do Terminal Sul, do Terminal José Longo e do CCO. A rede proposta está toda baseada em um sistema composto por veículos do tipo BRT, distribuídos em corredores exclusivos. A alimentação será feita pelos terminais e estações de transferência.

Participam da licitação 14 empresas e consórcios que foram selecionados durante a fase de pré-qualificação. Foram avaliadas a capacidade técnica e financeira das concorrentes. O procedimento é recomendado em obras de grande complexidade e fornece segurança jurídica e credibilidade ao processo licitatório.

Corredores

Os primeiros corredores do sistema Mobi vão passar por importantes áreas das zonas sul e central do município. O Corredor Estrada Velha/Bacabal terá 6,7 quilômetros de extensão. Ele terá início na Avenida Doutor João Batista de Souza Soares, logo após a Rua Quixadá, com ponto final previsto no futuro Terminal Sul, no Jardim Imperial.

Já o Corredor Andrômeda vai partir da Avenida Doutor Sebastião Henrique da Cunha Pontes, via local da Rodovia Dutra, e também vai até o Terminal Sul, totalizando 8 quilômetros de extensão.

O terceiro corredor, denominado tecnicamente como Corredor Interligação Centro-Sul, terá 3,1 quilômetros de extensão, começando pela Avenida João Batista de Souza Soares, no mesmo terminal do corredor Estrada Velha/Bacabal.

Seu traçado prevê conexão com o Corredor Andrômeda, em frente ao Vale Sul Shopping, passando depois sobre a Avenida Jorge Zarur por meio de uma nova ponte. O traçado segue sentido Rio de Janeiro e faz a transposição da Via Dutra por um novo viaduto até a Avenida Benedito Matarazzo, fazendo a conexão com a Avenida José Longo, onde se localizará o futuro Terminal José Longo.

O Corredor Centro I será construído com 7,5 quilômetros de extensão, permitindo que o Mobi percorra importantes vias da zona central, área que atualmente recebe mais de 85% das linhas de transporte público.

O trecho, em formato de anel, terá início na Avenida Francisco José Longo, no futuro Terminal José Longo, e vai seguir pela Avenida João Guilhermino, rua Dolzani Ricardo, Antonio Saes, Francisco Rafael, Siqueira Campos e Praça da Matriz, chegando ao Terminal Central (futura Estação de Transferência Centro).

O corredor continuará pelas Avenidas São José, Madre Tereza, ruas Luiz Jacinto, Euclides Miragaia e avenidas Adhemar e Heitor Villa Lobos, retornando ao Terminal José Longo.

Terminais e Estações de Transferências

O lote 1 do Mobi prevê ainda a implantação de duas estações de transferência e dois terminais. O Terminal Sul será construído em frente à Praça Francisco Azevedo, no Jardim Imperial. Ele vai abrigar o início do corredor Estrada Velha/Bacabal e do corredor Andrômeda.

Já o Terminal José Longo ficará no cruzamento da Avenida Heitor Villa Lobos e Avenida Francisco José Longo. O terminal foi projetado para a integrar também os Corredores Estrada Velha/Bacabal e Andrômeda.

Os terminais vão funcionar como plataformas de distribuição dos veículos e serão construídos pensando na acessibilidade, conforto e segurança dos usuários do Mobi.

As estações de transferências vão permitir a baldeação dos passageiros para os demais corredores. A primeira unidade será construída na Avenida João Guilhermino, entre as ruas Eugênio Bonadio e Machado Sidney, na Praça Kennedy.

A Estação de Transferência Centro está projetada para funcionar no mesmo local do atual Terminal Central (Rodoviária Velha).

CCO

O Centro de Controle Operacional (CCO) será construído em terreno próximo ao Viaduto Kanebo. O prédio terá cerca de cerca de 600 metros quadrados e vai abrigar operações de gerenciamento e monitoramento do sistema Mobi.

O CCO funcionará com equipamentos e sistemas que vão permitir controlar os horários de deslocamento dos veículos, além de fazer a localização e a comunicação em tempo real com usuários e motoristas.

Pelo CCO será possível ainda ter acesso ao controle da demanda de bilhetagem eletrônica e contagem de passageiros, além de toda estrutura de segurança, como comando de alarmes e câmeras de vigilância dos veículos, estações e plataformas.

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Ministério dos Transportes freia o BRT

02/05/2016  - O Liberal - PA

O Governo do Pará aguarda apenas a autorização do Ministério dos Transportes para que possa iniciar as obras do BRT Metropolitano, que vai vai integrar a Região Metropolitana de Belém. No final de 2013, foi iniciado um processo licitatório internacional para a elaboração do projeto executivo e execução do gerenciamento da obra do BRT Metropolitano. E, em fevereiro de 2014, assinado o contrato com o Consórcio Troncal, vencedor desse certame. Esse consórcio é constituído por quatro empresas (duas brasileiras e duas japonesas), que desenvolveram o projeto executivo do BRT. “Assim, o projeto executivo já foi concluído. Atualmente, estamos apenas aguardando que o Ministério dos Transportes autorize o Governo do Pará a realizar essa obra, através de um Termo de Cessão de Uso, já que o trecho em questão é de responsabilidade do Governo Federal”, informa o governo estadual, por meio do Núcleo de Gerenciamento de Transporte Metropolitano (NGTM).

Com a cessão pela União do trecho de 16 km, que vai do Entroncamento até Marituba, essa parte da via será administrada pelo Governo do Estado, que executará obras para melhorar o antigo problema de engarrafamento no perímetro, facilitando a vida de milhares de pessoas. “Agora, estamos apenas dependendo do Termo de Cessão de Uso, pois já temos um contrato de financiamento com a JICA (Agência de Cooperação Internacional do Japão) assinado e recursos na ordem de 530 milhões já disponibilizados para a realização dessa obra. Inclusive, o pagamento efetuado ao Consórcio Troncal para execução dos projetos executivos foi efetuado com parte desses recursos. E mais: por conta deste atraso, o Governo do Estado já pagou pouco mais de um milhão de reais de taxa de compromisso, acarretando prejuízos ao Estado e consequentemente à sua população”, acrescenta o NGTM.